sábado, 26 de agosto de 2017



Quando somos esse coração em chamas, que guia nossas escolhas, sempre temos pra onde voltar.
É difícil, por que o mundo é cheio de forças e interesses, e quem se guia pelas emoções, e depende inteiramente do olhar do outro, acaba sempre num ir e vir de situações.
Na maior parte do tempo a gente se sente perdida, incerta, usada. Mas quando a resposta vem, a gente transborda. De alegria, completude, energia, segurança e amor. A gente chora, de emoção, felicidade.. verdade.
É a verdade do reencontro com você mesma, com a sensação  de que voltamos pro lugar certo, seguro, e assim nos fortalecemos para a próxima.
Assim eu fui durante meus 30 anos...um mar...caótico, incerto, guiado pelos ventos e forças internas, avassaladoras, exageradas, pulsantes, mas periodicamente claras.
Não tenho do que me arrepender, e nem a pretensão de deixar esse lado passional.
Mas criei, nos últimos anos, com a ajuda de muita grana gasta em terapia, a obrigação de ser mais responsável comigo mesma. A duras penas, compreendi que as respostas, às situações incertas, precisam vir de mim também e não apenas dos outros. Que em alguns momentos, geralmente nos que sentimos as consequências das escolhas que fizemos ou deixamos que os ventos fizessem pela gente, ficamos sozinha. E aí, quando os ventos não sopram e o fogo apaga, é preciso se reinventar também de dentro.
Nos últimos tempos eu precisei relembrar das minhas chamas, precisei senti-las, valorizá-las, precisei saber que preciso ser mar de fogos pra poder continuar.
Mas exatamente com essa "descoberta", também veio a possibilidade de dar um passo a mais, em direção a outras escolhas...mais frias, menores.
Esse caminho, novo, ainda duro, das escolhas direcionadas e racionais, se faz muito estranho pra mim.
Mas é por ele que preciso experimentar andar, por alguns momentos, por alguns anos.
Minhas chamas vão comigo, mas guardadas, em brasa.
É hora de cozinhar...da espera. Do luto.
Se eu vou colher, e dará certo???
Apesar da ansiedade...
Nunca fui chegada a resultados, sempre me interessei mais pelos caminhos.

Seguimos!